Pular para o conteúdo principal

Os Quatro Elementos

I - O Fogo

O Sol, desrespeitoso do equinócio
Cobre o corpo da Amiga de desvelos
Amorena-lhe a tez, doura-lhe os pelos
Enquanto ela, feliz, desfaz-se em ócio.

E ainda, ademais, deixa que a brisa roce
O seu rosto infantil e os seus cabelo
De modo que eu, por fim, vendo o negócio
Não me posso impedir de pôr-me em zelos.

E pego, encaro o Sol com ar de briga
Ao mesmo tempo que, num desafogo
Proíbo-a formalmente que prossiga

Com aquele dúbio e perigoso jogo...
E para protegê-la, cubro a Amiga
Com a sombra espessa do meu corpo em fogo.


II - A Terra

Um dia, estando nós em verdes prados 
Eu e a Amada, a vagar, gozando a brisa
Ei-la que me detém nos meus agrados
E abaixa-se, e olha a terra, e a analisa

Co m face cauta e olhos dissimulados
E, mais,  me esquece; e, mais,  se interioriza
Como se os beijos meus fossem mal dados
E a minha mão não fosse mais precisa.

Irritado, me afasto; mas a Amada 
À minha zanga, meiga, me entretém
Com essa astúcia que o sexo lhe deu.

Mas eu que não sou bobo,  digo nada...
Ah, é assim. .. (só penso). Muito Bem:
Antes que a terra a coma, como eu.

 III - O Ar

Com mão contente a Amada abre a janela
Sequiosa de vento no seu rosto
E o Vento, folgazão, entra disposto
A comprazer-se com a vontade dela.

Mas ao tocá-la e constatar que bela
E que macia, e o corpo bem-posto
O vento,  de repente, toma gosto
E por ali põe-se a brincar com ela.

Eu a  princípio não percebo nada...
Mas ao notar depois que a Amada tem
Um ar confuso e uma expressão corada

A cada vez que o velho vento vem
Eu o expulso dali, e levo a Amada:
▬ Também brinco de vento muito bem!


IV  - A Água 

 A água banha a Amada com tão claros
Ruídos, morna de banhar a Amada
Que eu , todo ouvidos, ponho-me a sonhar
Os sons co mo se foram luz vibrada.

Mas são tai s os cochichos e descaros 
Que, por seu doce peso deslocada
Diz-lhe a água, que eu friamente encaro
Os fatos, e desponho-me a emboscada.

E aguardo a Amada. Quando sai obrigo-a
A contar-me o que houve entre ela e a água:
▬ Ela que me confesse! Ela que diga!

E assim arrasto-a à câmara contígua
Confusa de pensar, n a sua mágoa
Que não sei como a água é minha amiga.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Natal... Um Feliz Natal....

Natal.... Durante anos há anos atrás, era realmente um Feliz Natal.... com o passar do tempo as pessoas se tornaram mais frias até nessa data comemorativa que costumava reunir família e amigos, todos juntos em um único lugar, todos se divertindo e felizes... Agora... não passa de uma simples data, onde cada um está em seu canto, comendo e fingindo comemorarem algo ou fingindo se divertirem, mesmo estando visivelmente claro que não....Anos atrás víamos as ruas enfeitadas, cheias de luzes, todos comemorando, felizes sem preocupações... Agora... Todos se preocupam com tudo, alguns com as vidas dos outros, outros com si mesmos, outros com ninguém... As comemorações se tornam cada ano mais negras, simplesmente se apagando dos corações das pessoas... Não existe mais aquele sentimento alegre mutuo e carinhoso, não existe mais aquele puro calor humano que aconchegava uns aos outros em simples e pura harmonia e bel-prazer....Não consigo aceitar o rumo que a sociedade está tomando, o clima somb…

Vale a pena tentar ser melhor? Viver x Existir

Sabe... Eu havia começado esse ano com o objetivo de tentar ser uma pessoa melhor para todos e para mim mesmo... Mais a cada dia que se passa, eu duvido que valha a pena ser uma pessoa melhor... Por algum motivo, parece que as pessoas entendem que ser melhor é se tornar bobo e ingênuo. Eu sou uma pessoa de poucas amizades e poucos amores. Amo poucas mulheres, amo a minha namorada que está comigo, as únicas outras mulheres que amo e admiro da mesma forma são minha mãe e minha avó, nenhuma além dessas mulheres, as demais eu apenas respeito, como já me disseram várias vezes, eu sou bem insensível com as pessoas, não faço por mal, é apenas um reflexo de auto-defesa eu acho... Um reflexo do tanto que as pessoas já me decepcionaram durante todos esses anos, cada dia mais, das coisas cruéis que já ouvi e ouço, das que já sobrevivi e ainda sobrevivo.... É tanta coisa que hoje eu já não vivo, não sinto, apenas existo. Existo em um mundo que caminho sobre meus rancores, palavras não ditas e ati…

....

Não me agrada disputar atenção. Eu sempre vou ser a pessoa que perde, entende? A pessoa deixada, substituída, desinteressante. Não, isso não é complexo, não: é estatística. Tenho vida afora muitas provas disso e não reclamo, não interprete isso como uma reclamação. Apenas quero contar que jogo a toalha antes de entrar no ringue, por assim dizer. Jogo o meu corpo para o lado por conta própria antes de levar o soco e precisar de maca, remédios e recuperação. Já nem entro mais nas disputas; eu perdi o ar de tanto tentar.

  — Camila Costa.


Fonte:Sei la, Vi no tumblr